MAKRO ATACADISTA: resta o luto do município

Frank Sinatra*

 

Aconteceu, mais uma vez, a morte de uma empresa! Um dos motivos que mais pesaram neste fato foi o mesmo que acontece diariamente com muitas empresas que começam com um grande potencial e vão atrofiando. A alta carga tributária misturada com as incertezas do mercado e a falta de um ritmo mais vigoroso de recuperação da economia que torna qualquer negócio insustentável à medida que as reservas empresariais se acabam, levam as empresas  ao fim. Assim, inicia-se 2019, com o município de Contagem em luto pelo encerramento das atividades da Makro que há 47 anos está no mercado brasileiro gerando emprego e renda.

Lógico que não estou excluindo tantas outras que estiveram presentes no município, mas evidenciando uma de grande peso que tanto contribuiu para a sustentabilidade econômica em meio a processos de crises e de tantas intempéries ocasionadas pelas flutuações econômicas.

Até quando vamos continuar tentando sobreviver em um mercado que luta para permanecer em modelos tributários antigos e que são altamente corrosivos? São tantos impostos e obrigações que a dominância caótica do processo impede o alcance da virtuosidade dos negócios.

A Makro Atacadista, que tanto contribuiu com o município, como várias outras empresas, marcou a sua importância pela geração de emprego e renda. Quantas vezes ela suportou e  teve que se reinventar nestes 47 anos? Quantas vezes suas estratégias foram revisadas e tiveram que ser adaptadas ao momento atual? Contudo, chega uma hora que não dá mais. E é isso que venho colocando para todos há muito tempo. Nós, comerciantes, que temos a força e a vontade de construir um município melhor, um estado melhor e um país melhor, sofremos por manter esta esperança. Não tem mais como ir para frente! Agora, chamo a todos para refletir: se uma empresa de grande porte, que tem estrutura, está fechando lojas, imagina as micro e pequenas empresas? Nesse mesmo momento de reflexão, há de se pensar também o tempo que a Makro Atacadista levou para se instalar no Brasil e agora o tempo que a empresa leva para finalizar suas atividades em cada município que opera. Esse ponto chama atenção para a burocracia. Para que tanta burocracia se o resultado final é o desenvolvimento? Será que isso é uma medida protecionista ou limitadora?

Vale ainda pensar na geração de empregos. A Makro Atacadista gerava, somente no município de Contagem, cerca de 96 postos de trabalho. E agora? Como a economia vai girar com mais pessoas desempregadas? Temos que lembrar ainda que tem cerca de 13 milhões de pessoas nesta mesma situação. Deste jeito, não dá para crescer.

Desde criança, quando ensinavam para nós o Hino Nacional brasileiro, a parte que mais me marcou foi “Verás que um filho teu não foge à luta”. Diante disso, é certo manter esta estrutura dominada pelo caos para testar a força de seus filhos? Realmente, estou indignado pois não há uma imagem do Cruzeiro resplandecente que brilha no horizonte e no qual todos queremos alcançar.

Resta aos municípios, o luto de tantas empresas que morrem. Lutam e fracassam. Às vezes pela falta de gestão, às vezes pelo próprio ambiente de negócios que, ao invés de melhorar, sempre nos surpreende de maneira negativa.

Está na hora de acordar! Do que adianta fazer Refis se as empresas não têm condição de honrar com seus financiamentos? Querer crescer com tantos desempregados é um erro fatal. Até quando a carga tributária ficará nestes moldes que nem mesmo as estruturas de altas instâncias conseguem ter uma boa gestão financeira? Isso, meus amigos, é um desabafo de quem luta sempre e continua lutando.

Enfim, tirei este momento no qual a Makro Atacadista jogou a bandeira, não por vontade, mas por falta de incentivos e mudanças estruturais na dinâmica dos negócios, para tentar chamar a atenção ao que realmente importa. Vamos juntos construir algo novo. Temos muito o que fazer e mudar, mas será que há vontade?

A esperança é que os governos Estadual e Federal, consagrados nas urnas por suas propostas ousadas, as cumpram com a urgência que nossas empresas almejam.

 

*Presidente da CDL-Contagem, Presidente do Sindicato do Comércio de Contagem e Ibirité e Presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais – FCDL-MG

 

FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO

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